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segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

A Docência On-line e a Pedagogia da Transmissão - 14/1/08

Autores: Marco Silva [1] e Tatiana Claro [2]

Disponível em:
http://www.senac.br/informativo/bts/332/artigo-7.pdf
Acesso: 14/01/2008

Tópicos abordados:


  • A reflexão sobre o desafio dos docentes na mudança de paradigma de superar a transmissão de conteúdos para a produção colaborativa
  • O novo papel do usuário nas tecnologias digitais
  • O novo perfil da sociedade em rede
  • A mudança de paradigma da comunicação que passa da lógica da transmissão para a lógica da interatividade
  • As novas práticas comunicacionais e a criação de grupos de interesse
  • O rompimento da mídia de massa baseada na transmissão provocado pela cibercultura e ciberespaço
  • Os desafios para docentes e discentes na educação on-line
  • As mudanças nos papéis do professor e do aluno na educação on-line
  • Sugestões para melhorar o processo de ensino-aprendizagem com base em Lévy
  • As exigências da educação on-line
  • A interatividade (conceito, linha temporal, discussão, as mudanças, os aspectos fundamentais, a atuação do professor e alunos)
  • A materialidade da ação interativa nas interfaces on-line (os princípios, os frutos, a identificação e o uso das ferramentas e as interfaces, as potencialidades)
  • As conclusões

Os desafios para a mudança na postura da pedagogia da transmissão para a on-line. Utiliza como referencial teórico as críticas de Freire, Vygótsky e Tardif à pedagogia da transmissão. Aponta a interatividade como estratégia para o novo modelo de educação on-line, disponibiliza sugestões de aplicação de ferramentas e interfaces que podem promover a interatividade. O assunto foi abordado nos campos da Educação, Comunicação, Sociologia e Tecnologia.

Conclusões:

Os autores concluem no final que:

  • é necessário desenvolver uma atitude comunicacional atenta às interações e a sua efetividade que passa pela percepção crítica de uma mudança paradigmática nesse tempo de evolução tecnológica.

Referencial teórico:

Os autores utilizaram como referencial teórico:

  • A crítica ao modelo educacional baseado na pedagogia da transmissão de Paulo Freire
  • O conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) como crítica ao modelo baseado na transmissão de informação no papel do professor.
  • As interações concretas de Tardif - o agir-interativo - ensinar é estabelecer relações e desencadear com eles um processo de autoria e co-autorias.

Também foram citados:

  • Castells para descrever a sociedade em rede
  • Lemos para "a importância das TICs digitais aliadas ao contexto sociotécnico marcado pela passagem do computador pessoal (PC) para o computador coletivo (CC)" (p.82)
  • Silva para a transição da lógica da transmissão para a lógica da interatividade
  • Lévy para as definições de cibercultura e diberespaço
  • Primo para uma abordagem sistêmico-relacional
  • Marchand para o esquema clássico de comunicação (emissão-mensagem-recepção)

Apreciação:

O artigo dos autores trata-se de uma comunicação científica que apresenta uma fundamentação consistente para um tema relevante que é um desafio na educação on-line.

A contribuição está em estabelecer as relações entre educação, comunicação, sociologia e tecnologia. A linguagem é acessível, objetiva, clara e coerente com a realidade. O desenvolvimento foi realizado de maneira lógica e contextualizada, apresentou definições dos termos e sua aplicabilidade, o que faz o leitor leigo poder inteirar-se de maneira leve. As referências são variadas, enriquecedoras e bem relacionadas aos tópicos abordados.

A leitura é indicada às pessoas ligadas à educação em primeiro plano e se estende a todos que fazem parte de um processo comunicacional visto que o acesso às mídias se amplia e novas formas de leitura, interpretação e interferência são requeridas.

Processo de elaboração dessa resenha:

Essa elaboração obedeceu os seguintes passos:

  • na primeira leitura, foram levantadas questões cujas respostas encontravam-se nos parágrafos ou trechos;
  • na segunda leitura, as questões foram utilizadas para uma interpretação e análise;
  • a partir do roteiro da elaboração de de resenhas foi realizada uma releitura para a organização e desenvolvimento desse texto.

Acréscimos aos estudos dessa pesquisadora:

  • a visão crítica dos teóricos e as relações criadas
  • um novo olhar sobre a aplicabilidade dos aspectos fundamentais da interatividade
  • as possibilidades de aplicação nos cursos on-line

Algo que poderia ser melhor:

  • Nas conclusões o sentimento dessa pesquisadora foi o de que faltaram constatações que fundamentassem as afirmações sobre a postura dos professores. Foi afirmado que os professores "sabem", "aprenderam", "entenderam", mas não encontrei no texto evidências que comprovassem. Qual a base de tais afirmações? Será que é fruto de uma pesquisa? Sondagem? Observação?

[1] Marco Silva, Mestre em Educação pela FGV-RJ e Doutor em Educação pela USP. É professor do departamento de Educação a Distância da UERJ e professor adjunto da PPGE, na linha de pesquisa Tecnologias da informação e da Comunicação nos Processos Educacionais da Unesa (Universidade Estácio de Sá).

[2] Tatiana Claro, pedagoga, mestranda em Educação pela Unesa, linha de pesquisa Tecnologias da informação e da Comunicação nos Processos Educacionais.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Resumo: Interação e interatividade - Marco Silva

Interação e interatividade [1]
Marco Silva [2]

Nesse capítulo o autor faz um levantamento bibliográfico acerca dos conceitos de interação e interatividade. No início relata duas críticas comumente encontradas: a primeira está relacionada ao uso da palavra “interatividade” como argumento de vendas sem levar em consideração a complexidade do termo no campo da comunicação; a segunda, refere-se ao conceito de “interação” que se encontra presente em várias áreas do conhecimento como Física, Química, Sociologia, Biologia, Comunicação entre outras, tornando-o, portanto, polissêmico e vasto.

Em um dos tópicos atribui a “interação” um caráter redutor por facilitar a coesão e buscar estabilidade e equilíbrio.

Noutro tópico, aponta crítica à conotação restritiva desse termo e difere os conceitos segundo perspectivas temporais. Enquanto a interação é uma comunicação bilateral e esquematizável; a interatividade é uma comunicação discursiva que sofre influência afetiva e cognitiva, evoluindo ao longo do tempo.

Na visão interacionista, alguns autores atribuíram ao termo interação aspectos, tais como: motivação, predisposição e complexidade. Segundo Goffman e Strauss, na interação há previsão, cálculo e controle das ações.

No último tópico, alguns questionamentos foram levantados para tentar explicar as razões pelas quais os informatas transmutaram o termo “interação” para “interatividade”. E, finaliza, dizendo que não há necessidade de gerar conflitos, pois os termos possuem vantagens comuns.

Comentário sobre o texto:

Considerei densa a leitura desse texto. Tive uma certa dificuldade para entendê-lo. Por outro lado, ele me fez rever meus conceitos. Sempre atribui, até então, um significado mais técnico a interatividade, vinculando–o a uma relação homem-máquina (ou software), sem levar em conta a complexidade que envolve os aspectos comunicacionais. Da mesma forma, antes eu considerava “interação” muito mais voltado às relações humanas, mesmo que mediadas por meios tecnológicos.

Depois do estudo desse texto e analisando as minhas práticas como tutora de cursos virtuais, percebo que interatividade é mais ampla. Atribuo isso ao caráter de construção e imprevisibilidade que, inclusive, é relatado no capítulo. Essas evidências aparecem quando em um chat ou em um fórum, o discurso se abre em vários leques de assuntos que são ligados entre si por um fio bem sutil capazes de gerar novos pontos.

[1] Interação e interatividadeMarcos Silva - Sala de aula interativa – p. 92-99.
Data de acesso: 26/6/07

[2] O autor, Marco Silva, é sociólogo, mestre e doutor em educação, professor da UERJ e da UNESA, desenvolve pesquisa sobre a interatividade aplicada ao ensino presencial e à distância com desdobramentos nos campos da sociologia, da arte, do mercado e das tecnologias digitais.
Fonte: Site - http://www.saladeaulainterativa.pro.br/curriculum.htm. Acesso: 2/7/07